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Corretoras aumentam seus investimentos em home broker

A maior preocupação é evitar panes e problemas com transações realizadas em home broker.

As principais corretoras do País estão investindo alto em TI (Tecnologia da Informação).

A maior preocupação é evitar panes e problemas com transações realizadas em home broker. O software - utilizado por investidores para comprar e vender ações - tem tornado cada vez mais comum a participação de pessoas físicas no mercado acionário brasileiro.

Um exemplo de corretora cujos investimentos em TI serão volumosos neste ano é a líder em home broker. Trata-se da Ágora, que possui 23% desse mercado, e cuja operação foi incorporada pelo Bradesco no mês passado. A corretora deve dobrar de R$ 5 milhões para R$ 10 milhões os recursos direcionados à TI. "Cerca de 40% dos recursos serão utilizados para melhorar a performance e o ambiente operacional. As corretoras que não investiam terão de começar do zero. As mais bem preparadas querem dar um salto em qualidade e agilidade de serviços", define o responsável pela área de TI da Ágora, Guilherme Medina.

Outra corretora que vai aumentar significativamente o volume de investimentos em TI é a Banifinvest. A verba destinada a fortalecer suporte e monitoramento das operações em home broker - que foi de R$ 2 milhões no ano passado - pode chegar a R$ 8 milhões, acompanhando a expectativa de alta na captação de novos clientes da modalidade. Em 2007, a base de corretora cresceu mais de 200%, alcançando 25 mil clientes. A Banifinvest negocia cerca de R$ 100 milhões diariamente em operações de home broker. "A maior parte de nosso crescimento pode ser atribuída à divulgação boca-a-boca, que um usuário do sistema faz para o outro. Com a estabilidade econômica, mesmo o investidor com visão moderada passou a aplicar em renda variável", constata o gerente de sistemas da área de home broker da Banifinvest, Everson Ramos. “Manter a eficácia e a rapidez do serviço é fundamental para poder concorrer”, afirma.

Outras duas grandes corretoras de valores - Socopa e Cruzeiro do Sul - também estão atentas à performance de seus serviços de home broker.

A primeira, cujo número de clientes cresceu mais de 50% em 2007, atingindo mais de 10 mil clientes, deve destinar R$ 3 milhões em TI neste ano. Os investimentos incluem a manutenção e compra de equipamentos, projetos de expansão tecnológica e software. "A competição entre as corretoras deve se acirrar bastante neste novo momento vivido no mercado de capitais brasileiro", afirma o gerente de TI da Socopa, Fabrício Tota. "Elas precisarão adotar o protocolo fixo, sistema que as integra com o sistema financeiro internacional. E isso vai demandar maiores investimentos para todas", detalha.

De acordo com Tota, a Socopa já utiliza o sistema há cerca de dois anos, o que deve gerar impactos positivos em breve.

Tendência

O acordo de integração operacional entre Bovespa e BM&F, anunciado há cerca de duas semanas, deve levar as corretoras a investirem mais em TI. O movimento ocorrerá devido à necessidade de acompanhar as novidades tecnológicas que serão implementadas com a fusão. "O volume negociado deve subir. Há, ainda, a chance de que o pregão viva-voz da BM&F possa ser extinto em pouco tempo", descreve o gerente de home broker da Coinvalores, Otávio Sant‘Anna. A corretora, no entanto, não comenta valores investidos em TI.

Já a Cruzeiro do Sul , corretora ligada ao banco do mesmo nome, deve investir, aproximadamente, R$ 1,2 milhão durante o ano para tentar mitigar riscos em suas operações de home broker. "As corretoras que não investirem ficarão de fora da competição. A principal ferramenta para evitar problemas com as operações é o monitoramento continuo dos sistemas operacionais. Ele proporciona, por exemplo, saber a origem de falhas com rapidez", exemplifica o diretor-superintendente da corretora, Flávio Rietmann.

A Cruzeiro do Sul detém uma base de 1.500 clientes ativos e não descarta a possibilidade de aumentar investimentos em TI caso esse número cresça. "Essas verbas serão proporcionais e maiores, em caso do aumento do número de clientes", explica Rietmann.

Novas parcerias

O maior interesse das corretoras pela qualidade de serviços tem se refletido na procura por empresas de TI especializadas para realizá-los. Uma das que tem sentido esses efeitos no aumento do número de negócios é a Dimensiona Data, multinacional cujos papéis são listados nas bolsas de Londres e Johannesburgo, na África do Sul, onde fica sua sede. A companhia assinou, recentemente, contratos de prestação de serviços com Socopa e Cruzeiro do Sul. E deve anunciar, em breve, um novo cliente, uma corretora ligada a banco para a qual executará o mesmo trabalho. "O serviço é baseado em uma plataforma totalmente automatizada, que entra no site da corretora e, de forma sistemática, monitora todo o processo de execução de ordens de clientes. Como o usuário de home broker costuma comprar e vender ações de uma forma muito dinâmica, não pode haver a sensação de insegurança ou do insucesso em completar uma transação", exemplifica o diretor de tecnologia da Dimension Data, Emerson Murakami.

Recordes em março

O número de operações em home broker tem registrado recordes. Segundo os dados divulgados pela Bovespa, em março, o volume negociado pelo segmento mais do que dobrou em relação ao mesmo mês do ano passado. Alcançou R$ 24 bilhões, uma média diária de R$ 1,2 bilhão. Em março de 2007, o sistema eletrônico de compra e venda de ações movimentou R$ 10,5 bilhões.

A participação desse tipo de transação no mês representa atualmente mais de 31% do número de negócios realizados pela Bovespa. O total de negócios em home broker alcançou 2,3 milhões em março, o mesmo número de fevereiro.

A quantidade de investidores cresceu, somando 209 mil. Em fevereiro, eles totalizaram 198 mil. Atualmente, 57 corretoras de valores são cadastradas e habilitadas na Bovespa para oferecer o serviço de home broker.

Abril/2008
Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados

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